Uma Coisa: Pequenas sementes também produzem grandes árvores – Flavio Hasten Reiter Artigas

Uma Coisa: Pequenas sementes também produzem grandes árvores – Flavio Hasten Reiter Artigas

Uma coisa que eu gostaria de saber quando comecei meu ministério é que as pequenas sementes também produzem grandes árvores.

Seja por minha personalidade, seja pelos dons recebidos do Espírito Santo, sempre trabalhei ministerialmente na perspectiva da grande visão, do impacto do mover sobre a minha geração, da onda que contagiaria minha denominação e cumpriria o objetivo do Evangelho, até os confins da terra.

Estudei para isso, me preparei para isso, orei e jejuei para isso! Obtive alguns sucessos e colecionei insucessos, buscando em Deus sempre compreender o que Ele queria e quer de mim como servo e ministro.

Cresci com uma responsabilidade inerente à identidade de ser filho e neto de pastores. O senso de urgência, a sensibilidade pelos que se perdem e a empatia por aqueles que passam desorientados e sem rumo vibrava diante de mim aguardando uma resposta. E deveria ser uma grande resposta de minha parte.

Certa vez, mesmo depois de ter ensinado e pregado a respeito do chamado de Filipe ao caminho deserto, este relato soprou uma nova brisa sobre mim. O apóstolo (Atos 8.4-8 e 26-40) celebrava a alegria em Samaria e as multidões eram impactadas por seu ministério. Porém, o Espírito Santo o encaminha ao “caminho de Gaza que se acha deserto”. Um convite muito estranho e distante do que ouvimos repetidas vezes na formação ministerial.

Mais estranha é a cena que se desenrola. Ele encontra um funcionário do reino da Etiópia, estranhamente corre ao lado da carruagem e conversa com ele, prega, batiza e… pronto! O Evangelho alcançou os confins da terra, e Felipe nem foi até lá.

Num pequeno e improvável encontro, Felipe cumpre o propósito de Deus. Isto nunca foi uma novidade para minha leitura bíblica, mas confesso que sempre me chamou mais a atenção o mover do Espírito Santo chamando e sendo atendido e o final apoteótico do arrebatamento do apóstolo. Isto é grandioso.

Perdi muitos pequenos momentos, desprezei diversas pequenas oportunidades que poderiam ter gerado árvores e frutos. Gostaria muito de ter dado mais valor a situações triviais, encontros fortuitos, conversas inusitadas ou momentos aparentemente inoportunos e fora da agenda que foram sementes que não plantei. E algumas árvores não nasceram porque eu sonhava com o imenso bosque que o Pai me incumbira de cultivar.

Isto apenas acertou o alvo, mas muito longe do centro. A maturidade e o sopro suave do Espírito Santo trouxeram aprendizado e equilíbrio. Tenho sonhos ministeriais e uma visão clara do propósito de Deus para minha vida e ministério. Hoje, entretanto, sou capaz de perceber a sementinha que parece escapar das mãos, por pequena que parece. Percebo, contemplo e semeio.

Uma constatação e oração de aprendizado: Deus usa também os momentos “Felipe” de minha vida e ministério, estes também podem produzir grandes árvores conforme a vontade do Pai.